segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

O Túnel

Andava, andava, andava e nada, só escuridão. Pegando nas paredes de pedra, não sentia nada de diferente, só pedras e limo. Uma vez ou outra um pedaço de pau fincado entre as pedras para demarcar alguma coisa, invisível naquelas condições de luminosidade nula. Estava há umas quatro horas perdido, pelo tempo que parecia ter se passado desde que acordou com muita dor de cabeça em algum túnel escuro em que estava agora. Celular sem bateria, os ponteiros do relógio que brilhavam no escuro já sem brilho. Ouviu uns barulhinhos vindo de um metro de distância que foram se afastando. Deviam ser ratos ou algum outro tipo de bicho que vive em lugar escuro e úmido. Resolveu seguir os bichinhos. Andou por mais uns trinta minutos naquela direção. Ouviu barulho de líquido escorrendo pelas pedras. Estava com fome e muita sede. Achou o lugar de onde a água brotava e meteu logo a boca para que a água lhe matasse a sede. Algum tempinho depois resolveu que precisaria se esquentar, lembrou que estava com frio. Mas como não tinha nada de quentinho, pensou melhor e resolveu esquecer o frio, fome e sede já eram grandes preocupações e não precisava de mais uma. Pegou uma garrafinha que por algum motivo desconhecido estava no seu bolso e a encheu da água que escorria de parede. Depois de muita luta para encher a garrafa, seguiu andando naquela direção. Algum tempo depois, começou a ouvir um barulhão. E logo viu uma luz no fim do túnel. Era um trem. Correu no sentido contrário, mas a máquina era mais rápida e o atropelou. Sua cabeça se separou do corpo e foi lançada alguns metros para a frente. O resto do corpo ficou lá sendo esmagado por muitas rodas de ferro que vinham uma atrás da outra. Quando o trem foi atropelar novamente a cabeça que ainda rolava saiu dos trilhos e engatou no túnel. Os vagões que vinham atrás vieram. Um de cada vez, eram espremidos contra o primeiro e explodiam. Eram tantos vagões cheios de combustível que o túnel desmoronou, soterrando tudo que um há um minuto estava ali. E ele morreu sem saber o que estava fazendo ali e onde "ali" era.

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